Pular para o conteúdo principal

O creme sozinho não resolve a sua olheira

 

Você comprou o creme que a amiga indicou, usou direitinho por semanas e a olheira continuou exatamente igual. Antes de concluir que nada funciona no seu caso, vale considerar outra possibilidade: talvez o produto estivesse certo, só que para um tipo de olheira que não é o seu.

Olheira não é uma coisa só. O que a gente chama de olheira reúne situações bem diferentes embaixo do mesmo nome: excesso de pigmento na pele, vasos aparecendo por transparência e até relevo criando sombra, sem nenhuma mancha envolvida. Cada uma dessas tem uma causa própria, e é por isso que o mesmo creme resolve para uma pessoa e não faz efeito nenhum em outra.

A boa notícia é que dá para descobrir qual é a sua em poucos segundos, na frente do espelho, antes de gastar com o próximo produto.

O teste do espelho

Fique de frente para o espelho, com luz natural se possível. Estique levemente a pele logo abaixo do olho, puxando na direção da maçã do rosto, sem apertar. Depois observe:

  • Se a cor continua igual, é sinal de pigmento na pele.
  • Se a cor clareia bastante ou muda de tom, provavelmente são vasos aparecendo.
  • Se a cor some quase por completo e reaparece quando você solta, o que existe ali é sombra, não mancha.

Outra pista útil é inclinar o rosto para cima e para baixo em frente ao espelho. Se a olheira parece mudar de intensidade conforme o ângulo da luz, é forte indício de que se trata de sombra.

Com esse resultado em mãos, veja abaixo os 4 tipos e o que fazer com cada um.

1. Olheira pigmentada

É a olheira de cor acastanhada, que permanece igual quando você estica a pele. Aqui existe melanina depositada na região, e as causas mais comuns são genética, predisposição familiar, exposição solar ao longo dos anos e atrito repetido, aquele hábito de esfregar os olhos ao acordar ou quando bate alergia.

Como é acúmulo de pigmento, esse tipo responde a cuidados parecidos com os de qualquer mancha do rosto: proteção constante e paciência. E responde muito mal a fricção, que só escurece mais a área.

Na prática: aplique protetor solar também na área dos olhos todos os dias, inclusive em dias nublados, e corte o hábito de coçar ou esfregar. Se você tem rinite ou alergia, tratar a alergia costuma fazer mais diferença na olheira do que qualquer creme.

2. Olheira vascular

É a olheira de aspecto arroxeado, azulado ou avermelhado. Ela clareia ou muda de tom quando você estica a pele, porque o que aparece ali não é pigmento, e sim a rede de vasos sanguíneos vista por transparência através de uma pele naturalmente fina.

Esse tipo é o que mais oscila conforme o dia. Noite mal dormida, choro, alergia, muito tempo de tela e até o excesso de sal na véspera deixam a região mais congestionada e a cor mais evidente. É por isso que essa olheira parece piorar de repente e melhorar sozinha em alguns dias.

Na prática: uma compressa fria por 2 a 3 minutos pela manhã ajuda a reduzir a congestão local. Dormir com a cabeça um pouco mais elevada, usando um travesseiro a mais, também diminui o acúmulo de líquido na região durante a noite.

3. Olheira de sombra

Esse é o tipo que mais engana. Não existe alteração de cor na pele: o que existe é relevo. Uma bolsa embaixo do olho, ou um sulco entre a pálpebra inferior e a maçã do rosto, cria uma sombra projetada que a luz do banheiro acentua e que parece uma mancha escura no espelho.

A causa costuma ser estrutural, ligada ao formato do rosto e à perda gradual de volume na região com o passar dos anos. Retenção de líquido pode acentuar o efeito em alguns dias, mas não é a origem do problema. É justamente por isso que clareador não muda nada nesse caso: não há o que clarear.

Na prática: observe se a área melhora em dias com menos sal e mais sono. Se o relevo continua igual independentemente disso, esse é o tipo que costuma pedir avaliação com dermatologista, porque as opções eficazes são de consultório e não de prateleira.

4. Olheira mista

É a mais comum a partir dos 30, e a que mais gera frustração. Nela, dois ou três dos tipos anteriores aparecem ao mesmo tempo no mesmo olho: um pouco de pigmento, algum vaso visível e uma sombra se formando conforme a região perde volume.

Como as causas se somam, nenhum produto isolado dá conta de tudo, e a tentação é trocar de creme a cada três semanas, o que impede qualquer resultado de aparecer. O caminho mais produtivo é o oposto: identificar qual componente pesa mais no seu rosto e tratar um de cada vez.

Na prática: escolha o ponto que mais aparece e mantenha o mesmo cuidado sem trocar de produto. Fotografe a área uma vez por semana, sempre no mesmo lugar e com a mesma luz. A diferença costuma aparecer na foto antes de aparecer no espelho, e é isso que evita você desistir cedo demais.

Descubra a sua no espelho hoje

  1. Olheira pigmentada
  2. Olheira vascular
  3. Olheira de sombra
  4. Olheira mista

Nenhum desses tipos exige uma rotina complicada, mas todos exigem a mesma coisa antes de qualquer produto: saber com qual deles você está lidando. Comprar creme sem essa resposta é o motivo mais comum de a olheira parecer resistente a tudo.

Faça o teste do espelho hoje e, na próxima vez que for escolher um produto para a área dos olhos, escolha a partir do que você viu, e não a partir do que funcionou para outra pessoa.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação profissional individual.


Gostou dessas dicas? Siga a Belezalogia no Instagram @belezalogia para mais conteúdos sobre saúde, beleza e bem-estar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que sua pálpebra não para de tremer (e o que isso diz sobre você)

Você está no meio de uma tarefa qualquer quando sente. Um tremor pequeno, quase bobo, na pálpebra. Ele para, volta, some de novo. No dia seguinte, lá está ele outra vez. Esse tremor tem nome: mioquimia palpebral. E na maioria dos casos ele não é um problema nos olhos. É o seu corpo sinalizando que chegou perto do limite, antes de qualquer sintoma mais forte aparecer. Veja abaixo as quatro causas mais comuns e, mais importante, o que fazer a respeito de cada uma. 1. Fadiga acumulada O corpo cansado usa o músculo do olho para sinalizar que precisa de pausa. É um dos primeiros lugares do corpo onde o esgotamento aparece, porque os músculos ao redor dos olhos são pequenos e sensíveis a qualquer variação de energia. O que fazer: faça pausas de 5 minutos a cada 2 horas de tela. Levante, olhe para longe, pisque várias vezes seguidas. É pouco tempo, mas é o suficiente para o músculo relaxar. 2. Ansiedade em alta A mente em alerta constante deixa os nervos ao redor do olho mais sensíveis. Quan...

5 alimentos que ajudam a desinchar (e por que isso acontece)

Você já acordou se sentindo mais pesada, com o rosto ou a barriga inchados, mesmo sem ter ganhado peso de verdade? Esse desconforto tem nome: retenção de líquido. E, ao contrário do que muita gente pensa, ele quase nunca está relacionado à gordura corporal. Neste artigo, vamos entender por que o corpo incha e conhecer 5 alimentos simples, que provavelmente já estão na sua cozinha, capazes de ajudar o organismo a eliminar esse excesso de líquido de forma natural. Por que o corpo incha? O principal responsável pelo inchaço no dia a dia é o excesso de sódio. Quando consumimos mais sal do que o corpo precisa (em alimentos industrializados, embutidos, molhos prontos e fast food, por exemplo), ele passa a reter água para diluir essa concentração e manter o equilíbrio interno. O resultado é a sensação de inchaço, principalmente em mãos, pés, rosto e abdômen. A boa notícia é que, além de reduzir o consumo de sódio, é possível ajudar o corpo a acelerar esse processo de eliminação atravé...

5 hábitos que enfraquecem seu cabelo sem você perceber

A queda de cabelo nem sempre tem a ver com genética. Muitas vezes, o problema está em pequenas atitudes que repetimos todos os dias sem perceber o impacto que causam nos fios. A boa notícia é que, ao identificar esses hábitos, dá para reverter boa parte do dano com ajustes simples na rotina. Separamos os 5 hábitos mais comuns que enfraquecem o cabelo aos poucos, e o que fazer no lugar deles. 1. Prender o cabelo molhado O fio molhado está em seu estado mais frágil: a cutícula fica aberta e a fibra capilar perde parte da elasticidade natural. Prender o cabelo nessa condição, seja em coque, rabo de cavalo ou trança, aumenta muito o risco de quebra, principalmente na altura do elástico. Sempre que possível, espere o cabelo secar naturalmente ou pelo menos até ficar apenas úmido antes de prendê-lo. 2. Escovar com força Escovar com pressa ou com força excessiva, especialmente de cima para baixo em cabelos emaranhados, puxa a raiz e machuca o couro cabeludo. Isso pode acelerar a queda com o t...